Antes de mais, temos que esclarecer um ponto de partida para esta conversa: a que nos referimos quando falamos de “terra” ? Estamos a falar da “terra” do quintal lá de casa (solo) ou da “terra” que compramos no centro de jardinagem (substrato)? Quais as diferenças, vantagens e desvantagens de cada uma e qual o tipo de “terra” ideal para garantir os melhores resultados?

Seja solo ou substrato, a “terra” é o meio de sustentação e nutrição das plantas por excelência e influencia diretamente o seu crescimento, a sua saúde e, até, o seu sabor! Elementos como o azoto, o fósforo ou potássio são essenciais para o desenvolvimento das plantas e são obtidos, através das raízes, no solo.

A textura, humidade e pH são outros pontos importantes a ter em conta quando escolhemos onde vamos plantar, mas vamos por partes!

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O que entendemos por Solo

O solo representa uma fase no vasto processo geológico e faz, geralmente, a transição entre a vegetação e o substrato geológico. Constituído por matéria mineral sólida, matéria orgânica, água e ar, em proporções muito variáveis, cada solo pode ter composições, características e comportamentos muito diversos.

A textura do solo é definida pela variedade e tipologia da matéria mineral sólida presente, como fragmentos de rocha, pedras, cascalho, argila, limo ou areias. Para perceber qual a textura do solo com que vai trabalhar, pegue num punhado de terra e aperte. Se for arenoso o solo tenderá a esfarelar, será mais leve, mais seco e mais pobre em nutrientes. Caso seja um solo mais argiloso irá aglomerar-se facilmente, será mais pesado e rico em nutrientes mas poderá rachar facilmente no Verão. Um solo mais limoso será leve, sedoso ao toque e fértil.

A matéria orgânica do solo é constituída por organismos vivos e mortos em diversos estágios de decomposição influenciando, sobretudo, a disponibilidade nutritiva do mesmo. As minhocas podem ser um bom indicador de se o seu solo é rico ou pobre em nutrientes.

Nas cidades, a principal preocupação a ter é a contaminação do solo! Tenha em conta a história que a terra do seu jardim carrega, procure vestígios de entulho ou faça um teste para verificar qual o nível de contaminação do solo antes de começar a cultivar.

Qual a terra ideal para a minha horta?

O que entendemos por substrato

Os substratos especializados, que encontramos nos centros de jardinagem, são misturas que geralmente dão preferência à matéria orgânica, favorecendo assim a retenção de água, o arejamento e a disponibilização de nutrientes. Desenvolvidos para obter o equilíbrio perfeito, contém menos pedras, argilas ou areias e são geralmente, além de leves, fofos e escuros, produzidos a partir da reciclagem de resíduos vegetais.

Outro valor a ter em conta, na escolha do substrato ideal, é o pH já que este interfere diretamente na capacidade de alimentação das plantas.
Para uma correta assimilação dos nutrientes, a grande maioria das hortícolas prefere um substrato com um nível de pH neutro, nem ácido nem alcalino, entre os 6.5 e os 7.0.

Uma pergunta frequente sobre a utilização do substrato na horta é se este necessita ser substituído periodicamente. A resposta é não! A única preocupação a ter é a reposição dos nutrientes, que vão sendo consumidos pelas plantas à medida que vão crescendo. Mas, tal reforço, pode ser feito através de processos de fertilização, veja aqui como o pode fazer.

Opte por um substrato biológico e específico para o cultivo de hortícolas e “mãos à horta”!

Não precisa de trocar o substrato, basta fertilizar. Saiba como!