Ao longo dos últimos vinte anos, cada vez mais famílias se sentam à mesa com alimentos ultraprocessados. Estes alimentos prontos, representam hoje grande parte da oferta nos supermercados, mesmo nas secções de produtos dietéticos ou saudáveis. Geralmente, vemos estes alimentos como uma opção mais barata, quase sempre agradável ao paladar e muito prática, pronta a consumir ou de fácil preparação. A vida nas cidades é acelerada e falta-nos tempo para quase tudo, por isso chegada a hora de preparar as refeições estes alimentos parecem ser uma grande ajuda. No entanto, não lhe damos grande novidade se dissermos que um consumo continuado e exagerado destes alimentos ultraprocessados traz, certamente, repercussões negativas para a saúde do nosso organismo. Aprender a identifica-los e pensar como substituí-los pode ser uma mais valia para uma alimentação mais equilibrada.

Alimentos ultraprocessados, repensar o que comemos

O que entendemos por alimentos ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados são, geralmente, produtos que sofreram algum tipo de transformação. Na informação nutricional obrigatória, encontramos normalmente uma lista de aditivos (com a letra “E” associada a um número de 3 algarismos) entre os quais os emulsionantes, estabilizadores, espessantes e gelificantes. As batatas fritas, os refrigerantes ou cereais de pequeno-almoço, muito apreciados pelas crianças e pelos adolescentes, são um clássico. Mas os pratos pré-cozinhados ou os caldos e sopas desidratadas, mesmo os de origem biológica, podem esconder alguns ingredientes menos desejados.
Na memória ficaram as taças de marmelada da nossa avó, os pedaços de bolo acabo de cozer que embrulhávamos num guardanapo ou a massa folhada feita em casa. Algo bastante diferente destes alimentos ultraprocessados de embalagens práticas e coloridas e com uma lista interminável de ingredientes descritos no verso.

Qual o perigo de consumir em demasia este tipo de alimentos?

Para além dos aditivos que referimos acima, os alimentos ultraprocessados contêm, geralmente, um alto teor de sal, de óleos hidrogenados ou de açúcar. O sabor é, quase sempre, muito agradável, o que pode criar alguma dependência e “viciar” o palato dos que ainda estão em fase de descobrir os sabores dos alimentos.
Alguns estudos científicos apontam já para a relação possível entre o consumo destes alimentos e o aumento drástico de doenças ditas civilizacionais: doenças cardiovasculares, diabetes ou a obesidade.
Em França, um estudo levado a cabo por uma equipa da Sorbonne, analisou os registos médicos e os hábitos alimentares de cerca de 105.000 adultos, participantes do também francês NutriNet-Santé. Segundo a equipa, os indícios de relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o aumento da probabilidade de aparecimento de cancro são fortes e consistentes, mas não descartam a necessidade de confirmação por via de novas pesquisas.

Como podemos evitar ou seguir um caminho diferente?

Se queremos reduzir o consumo de alimentos ultra-processados precisamos, sobretudo, de tempo. O que não significa, necessariamente, mais tempo, mas pelo menos uma melhor gestão ou visão sobre ele. Claro que escolher bem aquilo que compramos é o primeiro passo, mas o segundo pode ser trazer o “faça você mesmo” para dentro da cozinha incluíndo, por exemplo, a família na preparação, confecção ou, até, produção dos próprios alimentos. Além da responsabilidade incutida e da pedagogia, os momentos à volta das receitas, dos cozinhados, ou da horta podem ser muito divertidos.
Ao mesmo tempo, não faltam hoje fontes de informação com ideias e sugestões do que podemos cozinhar em casa. Ou superfícies comerciais que se propõe a disponibilizar uma grande variedade de matérias primas. Explorar técnicas e hábitos de outros tempos como as conservas ou processos de fermentação, por exemplo, pode servir de inspiração. Ajuda, certamente, investir um pouco no planeamento das refeições e pensar sempre como podemos tornar um hábito em algo diferente.

O agora, o já pronto e o embalado tem um preço que pode não estar marcado e precisamos refletir se o queremos pagar!