O sistema de produção global de alimentos baseia-se, atualmente, numa Agricultura industrial de produção em larga escala que explora os recursos naturais e procura a uniformidade e produtividade a qualquer preço. O resultado é uma atividade que é, em parte, responsável pelo desflorestação massivo, pela a perda de biodiversidade, o desgaste dos solos, a escassez ou contaminação da água em determinados territórios e os elevados níveis de emissões de gases com efeito de estufa.

Ora, para uma atividade que depende da Natureza, é algo incongruente permitir o desaparecimento de grande parte dos insetos polinizadores, a perda de 60% do património de sementes da humanidade ou gerar uma dependência crescente de fertilizantes ou pesticidas químicos! Persistir numa Agricultura que não consegue produzir sem destruir é um erro e é nesse sentido que devemos olhar para a Agroecologia como uma resposta para o futuro.

Agroecologia, a alternativa para proteger o planeta

O que é então a Agroecologia?

A Agroecologia pode ser considerada uma ciência, uma prática ou, até, um movimento social. Esta fomenta, antes de mais, um sistema de produção de alimentos que trabalhe em prol da Natureza, de forma a protege-la, a tirar partido dos seus ciclos e recursos sempre numa ótica de preservação e renovação sustentável dos mesmos (água, solo, biodiversidade, etc.). Uma abordagem holística que pratica a resiliência, promove os ecossistemas locais e defende a soberania alimentar. Assim, os agricultores agrogeológicos trabalham com o meio procurando exercer uma atividade economicamente viável, ambientalmente sustentável e que permita o desenvolvimento humano com especial foco na segurança e saúde humana. Recorrendo às práticas da Agricultura Biológica (rotação de culturas, compostagem, policulturas, consociações etc.) o ecossistema é abordado como um ambiente em que seres vivos (animais e plantas) e materiais inertes interagem numa relação de interdependência. Quando o equilíbrio do meio é preservado, a fauna e a flora (micro, meso, e macrofauna e flora) desenvolvem-se de forma complementar proporcionando um equilíbrio continuo e um círculo virtuoso. Por isso é fundamental, para um Agricultor agroecológico trabalhar a qualidade dos solos e, por conseguinte, a das plantas recorrendo por exemplo à biomassa e à biodiversidade disponíveis.

O resultado são terrenos mais férteis, ecossistemas mais diversos e culturas mais produtivas e equilibradas, com menos fragilidades e riscos de sofrer de pragas e doenças.

Uma aliada contra as mudanças climáticas

Estudos recentes revelam que o atual sistema alimentar industrial é responsável por pelo menos 1/3 das emissões de gases com efeito de estufa. Além disso, mesmo no que toca à produção, o sistema atual depende sobretudo da energia fóssil para a mecanização de processos, a irrigação de água ou a produção e disseminação de fertilizantes e pesticidas.

Reconhecida como uma estratégia para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas a Agroecologia é, hoje, não só um caminho desejado, mas também necessário. Além do impacto positivo que poderá ter no ambiente, a prática de uma Agricultura Agroecológica garante alimentos mais saudáveis e promove uma maior proximidade entre o produtor e o consumidor.

Cultivar parte dos seus alimentos e devolver ao pátio de sua casa ou ao topo do seu prédio a biodiversidade que lhe foi retirada é, em certa medida, uma forma de aderir à Agroecologia. O importante é optar por práticas de Agricultura Biológica e sustentável.

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Saiba como tornar a sua Horta biológica